Algumas matérias

Entrevista: Nando Reis

 

Solidão Desejada

A escultura de um lobo coberto de crochê azul na sala de pé-direito alto representa a fase atual de Nando Reis, 50 anos. Isso porque sua peça preferida dentro da casa a poucos passos do estádio do Pacaembu, em São Paulo, parece cantar solitária para a noite. De pés descalços, sentado em posição de lótus sobre o sofá, ele diz que gosta de estar musicalmente sozinho e acaba de dar um novo passo em direção a essa solidão criativa: está independente pela primeira vez. Saiu da gravadora Universal – “disseram que eu dava prejuízo” – mas está na mesma lista que Luan Santana entre os compositores que mais recolhem direitos autorais no Brasil. Nando é assim, “um antagonismo entre transcendência e contenção”, como ele mesmo define.

 

GQ: Como seu mundo ficaria completo?

Nando Reis: Se eu pudesse trazer de volta pessoas que o deixaram mais vazio: minha mãe, Cássia (Eller),

Marcelo (Fromer) e (o produtor) Tom Capone. No resto, me viro. A vida não é um álbum de figurinhas, então não tem essa de estar completa. A graça é ir atrás do que falta. Há algo saudável e vital em

não estar completo.

 

Hoje você está entre os 15 compositores que mais recebem do Ecad, ao lado de Luan Santana e Sorocaba. Como se sente?

Estar numa lista com artistas que têm apelo superpopular, que não se compara ao meu, não só é espantoso, mas motivo de orgulho. Sinal que meu trabalho tem alcance popular.

 

Que infernos o atraíram na vida?

Eu jogo no limite, me arrisco demais. Lembro quando li O Jogador (de Dostoiévski) e me identifiquei com a alma do jogador. Eu não jogo porque talvez tenha medo de apostar tudo. Meu inferno maior sempre

envolveu o limite entre o pensamento e meu envolvimento com álcool e drogas. O meu antagonismo é entre transcendência e contenção. Tenho uma autocrítica esmagadora. Talvez tenha a ver

com a Igreja e com meu histórico familiar. Sempre me atraiu quebrar isso e perder a consciência no processo criativo. Só que drogas trazem problemas e o corpo acusa. Eu não tenho mais 17 anos, tenho 50.

 

Das drogas que experimentou, qual mais lhe fez mal? O álcool. Eu sou um sujeito sem limites. Já bebi muito e bebo ainda. Gosto do barato, de me embriagar. E a vodca tem a ver com minha relação com Dostoiévski. Eu li Crime e Castigo aos 15 anos, em um estado febril, igual ao do personagem. Me identifiquei muito e comprei minha primeira vodca. Meu avô bebia uísque, meu pai também, mas era uma relação diferente, uma vez por semana... Quisera eu voltar a essa relação. Eu trabalho com música e tenho essa mística que a bebida favorece a criação.

 

O que foram seus 20 anos?

Tudo aconteceu. Saí da adolescência, entrei para uma banda, fiz os discos mais incríveis que ela já criou. Casei com a mulher que amava, tive meus filhos, viajei pelo Brasil.

 

E os 30?

Foi uma década mais pesarosa. Mas foi a loucura do acústico: com o dinheiro, consegui comprar uma casa.

 

E os 40?

Foram de muito trabalho solo.

 

Como foi sua saída da Universal?

Ela não quis renovar o contrato porque eu dava prejuízo. E eu, que nunca tinha olhado para essa relação com as gravadoras, fiquei chocado com a situação. Mas agora quero resgatar isso. Minha profissão não é fazer músicas, é fazer discos. O disco é

um objeto que está se perdendo.

 

Qual é o melhor disco que você já ouviu?

O disco da minha vida é o Expresso 2222, do (Gilberto) Gil. As músicas são maravilhosas isoladamente, mas se não as tivesse ouvido na sequência, não seria a pessoa que sou.

 

Vender pela internet é a lógica “se não pode vencer o inimigo...”?

É mais um pensamento em médio prazo: quero incutir em quem gosta do meu trabalho o hábito de comprar o disco comigo.

 

Esse novo sistema é mais vantajoso?

Ô! Eu tinha um royalty ridículo. Variava de acordo com a vendagem, mas no final era de 16% a 18%. Hoje ganho mais. Vendi 7 mil discos em quatro meses, o último tinha vendido 12 mil na Universal.

 

As gravadoras pararam no tempo?

Enquanto ficaram preocupadas com a pirataria, subestimaram a internet. Deveriam ter pensado em vendas on-line, em direitos autorais. Não houve empenho. Elas acharam que o camelô era o inimigo. E agora já dançaram.

 

Você tocava baixo no Titãs e hoje prefere o violão. Enjoou?

Sempre toquei violão. Mas queria tocar alguma coisa no Titãs, e não tinha vaga. Fiquei com o baixo. Quando saí, quis uma ruptura com eles e, na carreira solo, quis ficar mais isolado da minha banda também.

 

O mundo é “bão”?

A vida é boa, mas o mundo é uma bosta. A minha não é um palco iluminado, mas amo viver.

 

Você já está compondo?

Compor é a maior angústia do mundo, nunca sei se

vou fazer algo que vai me satisfazer. Tenho só duas músicas prontas.

 

São para alguém?

Não. Ando, cada vez mais, sozinho.

Os seis sentidos de Philippe Starck​
 

Uma voz calma, com entonação baixa e frases lentas não é exatamente o que se espera do gênio do design mundial, o francês Philippe Starck. Alguém que já criou de hotéis a um espremedor de frutas, de cadeiras a protótipos de carros movidos a hidrogênio, pensava eu, deveria falar de forma descontrolada, com as ideias fluindo mais rapidamente do que as palavras podem acompanhar. Mas não. Ele tem um ritmo comedido e extremamente controlado. Falando pausadamente e refletindo antes de cada resposta, Philippe Starck mostra por que seu design é de vanguarda e até subversivo: ele definitivamente não é uma pessoa que se pode chamar de comum. Só veste roupas sob medida, até pouco tempo atrás gostava de criar seus próprios perfumes e é paranoico por aparelhos sonoros digitais. “Viajo com seis ou sete iPods, de medo que algum deixe de funcionar”, disse em entrevista exclusiva à Platinum. Aos 60 anos de idade, ele acaba de comemorar o 30º aniversário de seu estúdio, o Starck Productions, em Paris, um dos mais conceituados do planeta quando o assunto é design. “ O que mais valorizo são minha vida e o amor que tenho por minha mulher. Não há criação física que supere isso”, disse, demonstrando que dá de ombros para o que produziu.

Até aí, nada de novo. Afinal, uma das características mais fortesde seu trabalho é justamente o marketing. “Tudo no Philippe é estudado: como ele se veste, como é fotografado, quando aparece e o que diz. Estas características fazem dele um profissional do design fascinante em um universo tradicionalmentemuito mais rigoroso”, explica Raffaella Mangiarotti,  pesquisadora de desenho industrial da Faculdade de Design do Politecnico di Milano, na Itália. “Sua maior importância é a popularização do design e, mais que isso, mostrar que esse é um campo de atuação que pode, sim, ser autoral. Antes dele, as pessoas tinham objetos em casa, mas não tinham a menor ideia de quem os desenhara. Starck mostra que o designer é um artista”, completou Noni Geiger, professora orientadora de projetos de design visual da Uerj. O resultado disso é um conjunto de criações tão inovadoras quanto a grife Starck with Ballantyne de roupas ecologicamente corretas, o conceito de um carro movido a hidrogênio, o projeto de revitalização interna do tradicional hotel francês Le Meurice, o design do restaurante japonês Katsuya, do S Bar em Los Angeles, de motocicletas, de embalagens de alimentos orgânicos e do famoso espremedor Juicy Salif, que data de 1990. No Brasil, seu único trabalho é o hotel Fasano do Rio de Janeiro. “O País tem uma formidável energia que vem de sua miscigenação racial e cultural”, romantizou.

Inaugurado em 2007 com investimento de US$ 20 milhões, o hotel-butique tem vista para o mar de Ipanema e boas pitadas do estilo rococó-surreal de Starck. “O projeto de Starck certamente agrega valor ao Fasano do Rio”, contou Rogério Fasano, proprietário do hotel. “O mais bacana

é perceber como um arquiteto tão renomado como ele compreendeu exatamente a ideia que tínhamos: de reverenciar os tempos áureos do Rio de Janeiro (as décadas de 50 e 60) e o design brasileiro, com móveis de Sérgio Rodrigues e Tenreiro.”

Pois essa lenda do design moderno, que ganhou nove prêmios somente em 2009, contou à Platinum os segredos de seu trabalho e falou sobre música, fragrâncias, toques, cores, gastronomia, intuição e tudo mais que o inspira. Surpreenda-se nas próximas páginas!

 

Audição

Vivo ouvindo música, sonho com música, escuto 24 horas por dia. Para você ter ideia, costumo viajar com seis iPods, de medo que um ou dois não funcionem. Ainda não aconteceu de algum estragar, mas prefiro me prevenir (risos). Minhas escolhas são muito ecléticas: eu busco qualidade e estou à procura do meu “som pessoal”. Não tenho uma música preferida, mas, se tivesse, poderia transformá-la em lágrimas facilmente. A música é parte integrante do meu processo criativo. Escolho um tipo adequado para cada projeto e cada momento do dia. Na verdade, se eu fosse honesto, dividiria os royalties das minhas criações com os autores das músicas que ouço para me inspirar (risos).

 

Paladar

Meu prato preferido é a botarga, como são chamadas as ovas de peixe secas. Mas posso dizer que aprecio todas as formas de cozinha que sejam inteligentes, honestas, dietéticas e biológicas, com preferência para as gastronomias japonesa e italiana. Na hora de procurar um restaurante, fujo dos que estão na moda, pois prefiro os clássicos, embora aprecie muito o modelo de cozinha que Ferran Adrià aplica no elBulli, na Espanha. Não sou grande cozinheiro, mas adoro cozinhar e posso fazer um jantar para 30 pessoas em 30 minutos. O resultado vai ser algo “comível” .

 

Olfato

Entre todos os aromas possíveis, meu preferido é o odor que exala do corpo humano. Quanto a fragrâncias, eu adoro tanto as clássicas – e até mesmo arcaicas –, como o Habanita, da marca Molinard, quanto as mais recentes, como o Vetiver, da Labo. No meu quarto tenho cerca de 20 diferentes, de grifes como Comme des Garçons e Labo, mas quase não toco nelas. Na verdade, uso cada vez menos no dia a dia, e muitas vezes nem me perfumo. Antes, quando tinha mais tempo, eu criava meus próprios perfumes e tinha até um laboratório profissional, mas agora é impossível. Se recebesse hoje uma encomenda para desenvolver o conceito de uma fragrância, pensaria em uma que não escondesse os odores corporais.

 

Visão

Perguntar minha cor preferida é como perguntar a um músico sua nota preferida ou a um escritor qual é sua letra preferida. Qualquer cor, letra ou nota só nos interessa no conjunto. Separadamente, elas significam a mesma coisa, têm a mesma importância. Adoro arte, mas jamais vou a exposições e também não saberia escolher meus artistas favoritos porque seria injusto. Certamente, eu deixaria vários nomes importantes de fora. Admiro o belo, porém ele nada mais é do que a representação de uma etiqueta social saída da burguesia, que se manifesta na moda, por exemplo. Não sigo moda, vivo fora desse mundo, e nem se quisesse conseguiria. Eu me interesso por valores mais atemporais do que o belo. O bom, por exemplo.

 

Tato

A pele é minha superfície preferida de tocar. Quando defino um objeto, fecho os olhos e o leio com meus dedos. É graças ao toque que reconheço a qualidade das linhas.

 

Intuição

Eu me considero um bloco de cristal de intuição. Em resumo, sou pura intuição, não consigo nem controlar meu inconsciente. Sou perigoso para mim e para os outros (risos). No momento de criar, o que mais me inspira é a mutação da espécie humana. E, pensando nela, sigo minha intuição também ao me preocupar com o futuro do planeta e pensar em tantos projetos “verdes”. Sinto que todos nós humanos temos um dever com o amanhã, está escrito em nosso DNA. E temos de cumprir esse dever com inteligência ao longo de nossa veloz evolução.

Sebastião Salgado

Quando Sebastião Salgado, 69 anos, já era um dos fotógrafos mais conhecidos do mundo e morava em Paris, ouviu de seu pai: “Na época da inflação, muitos fazendeiros se desfizeram de suas terras assustados com os rumos da economia. Eu poderia ter feito como eles e hoje você seria um tratorista ou poderia estar vivendo em uma favela”. Foi a forma que encontrou para manter os pés do filho bem fincados em terra firme, mostrando que ele teve oportunidades na vida como poucos.

Essa é uma das cenas que Salgado mais traz vivas na memória. E olha que ele já viu muitas. Nos últimos oito anos, aliás, viu o que ninguém (ou quase ninguém) viu. Salgado rodou o planeta para seu mais recente projeto, Genesis, que foi transformado em exposição – com passagem por Rio de Janeiro, São Paulo e mais três cidades brasileiras a partir de 28 de maio – e livro, pela editora Taschen.

Em seus 40 anos de carreira, este mineiro de Aimorés já viu todas as mazelas da humanidade. “Presenciei coisas terríveis, histórias de guerra, miséria. Mas também retratei os conflitos decorrentes da urbanização brasileira. Eu contei com a fotografia a história do mundo que me cercava, do meu país, do momento histórico em que vivia. E comecei a me perguntar: qual é a maior pobreza? O tamanho de seu automóvel e sua conta bancária não falam sobre sua qualidade de vida. Muitas vezes os mais pobres em recursos monetários são mais ricos em amor e em um senso comunitário”, diz à GQ.

Pergunto, então, se ele cansou dessa beleza que vem da tristeza. “Não. Simplesmente são fases diferentes da vida. A ONG (Instituto Terra, fundado por ele em 1999) aumentou meu interesse por todas as espécies da natureza. E quer saber? Se eu fosse sabido o suficiente, talvez esse projeto tivesse sido o primeiro da minha vida. É muito importante perceber as relações da natureza. Espero que as pessoas redescubram o planeta através do Genesis”, conta. Em suas andanças por este vasto mundo, Sebastião reforçou uma impressão registrada em Êxodos, um de seus livros anteriores: a de que a raça humana é somente uma. Ele diz que ao retratar clãs isolados nos extremos do planeta, como a Sibéria, concluiu que eles são como nós há 10 mil anos. E que já têm tudo o que precisam: medicina (natural) e a ideia de solidariedade. Visto que são um povo nômade, só levam consigo o essencial. E essa experiência levou Salgado a mais uma reflexão. “Consumimos tanta coisa desnecessária, como três versões de um mesmo produto, e não vemos que estamos acabando com os recursos naturais”, diz.

Mas de todas as epifanias que teve ao longo de Genesis, a que mais tocou o artista aconteceu na África. “Estava na divisa do Congo com Ruanda, fotografando gorilas com câmeras de médio formato, que são planas na frente. É como se elas virassem um espelho sob o sol. Então, um gorila de uns 150 quilos se aproximou de mim, colocou o dedo na boca, tirou e colocou novamente. Ele estava se descobrindo no espelho. Foi quando percebi como os gorilas são próximos da gente. Eu me senti eu mesmo 50 mil anos atrás, vendo minha imagem no rio”, conclui poeticamente, como é de sua natureza.

Esta é uma pequena amostra do meu trabalho. Já entrevistei - e aprendi muito com - Stella McCartney, Diane Von Furstenberg, Moebius, Karim Rashid, Paloma Picasso, os fundadores da Cîroc e da Cointreau, Andoni Aduriz, Tony Ramos e Alex Atala, entre outros. Se quiser ver mais  >>
Perfil:
Philippe Starck

 

Perfil: Sebastião Salgado

 

Entrevista: OsGemeos

 

OsGemeos, de A a Z

Os street artists brasileiros mais conhecidos no mundo falaram com exclusividade à MasterCard Black 

 

De avião a lenços Louis Vuitton,  não tem plataforma em que  OsGemeos, artistas paulistanos nascidos no humilde bairro do Cambuci, não tenham interferido com seus bonecos amarelos e sua atmosfera que parece saída de um sonho. Depois de colorir nossa cinzenta cidade, Otávio e Gustavo Pandolfo ganharam o mundo. No último mês de outubro contaram para a MasterCard Black o que andam aprontando.

AVIÃO eles foram convidados para pintar o avião que transportou a seleção brasileira de futebol durante a última Copa do mundo, mas esta não foi a primeira plataforma inusitada ilustrada pelos artistas: já grafitaram um castelo na escócia, um complexo industrial no Canadá, trens em uma antiga fábrica em Milão... “Todos são marcantes e têm sua magia e dificuldade”, disseram à masterCard Black.

BONECOS AMARELOS “Começamos a pintar grafite no meio dos anos 80 e tínhamos uma grande preocupação em desenvolver um estilo próprio. O amarelo se tornou uma característica por ser parte de um lado espiritual bem nosso”, explicam. 
CAMBUCI “O Cambuci foi onde conhecemos o hip hop, no começo de tudo. Antes de frequentarmos o metrô São Bento, onde bboys e bgirls [como são chamados os praticantes de break] se reuniam em meados dos anos 80. A rua foi nossa escola. devemos muito a esse bairro”, falam.
DESENHO Foi o começo de tudo. “Quando éramos crianças, nos divertíamos com isso. Começamos por volta dos 4 anos a desenhar no mesmo papel, um completava os traços do outro”.

ESPECIAL Eles nunca mencionam sua obra preferida. “Nos realizamos sempre! Cada trabalho, cada pintura tem seu lado mágico”. 

FILME Dentro de qual filme gostariam de viver? “Style Wars, A Fantástica Fábrica de Chocolate, The Wall, A Loucura do Ritmo (Beat street) ou The Break-in”.

GRAFITE “Na rua sabemos que ‘quem é de verdade sabe quem é de mentira’. Sempre admiramos pessoas que se preocupam em ter estilo, em ocupar a cidade toda. Tem muitos ‘pais’ do grafite em são Paulo!  Nós só contribuímos da maneira que acreditamos, com respeito e admiração”, respondem quando perguntamos se são os pais do grafite.

HIP HOP durante o lançamento do álbum de hip hop “Cultura de rua”, a dupla comentou em seu site: “Tempo bom que não volta nunca mais”. 

INSPIRAÇÃO “Estamos sempre abertos. Cada lugar a que vamos, cada viagem, cada exposição que fazemos, cada música, cada filme, cada show, cada pessoa que conhecemos, nossa família, nossa turma... tudo isso sempre vai ser uma grande fonte de inspiração”, dizem. 

JR Este ano, participaram de um projeto emocionante com o grafiteiro francês JR: criaram juntos uma obra nos túneis desativados do museu Palais de Tokyo, em Paris. O espaço foi usado como depósito para guardar os pianos roubados durante a ocupação nazista, mas hoje, por motivos de segurança, não recebe visitantes. As obras só podem ser vistas em fotografias e funcionam como acervo do museu. “O JR é um grande amigo e nos convidou para participar. Temos uma ligação forte com a nossa família, a segunda Guerra e a história dos nossos avós. Pintar lá foi voltar na história. Aquele lugar tem algo espiritual”, relatam. 

LOUIS VUITTON OsGemeos já desenvolveram uma estampa para as echarpes de seda da Louis Vuitton. O trabalho, batizado de “mosaico“, trazia as carinhas amarelas nos papéis de sol e lua.

MÚSICA O principal hobby dos irmãos é “discotecar e fazer música”.

NUNCA Em 2008, o jornal The New York Times falou sobre o grafiteiro Nunca e OsGemeos: “eles estão entre os mais famosos praticantes de street art brasileira: seu trabalho pode ser encontrado em cidades do mundo todo e acaba de receber uma espécie de selo de aprovação institucional, visto que foram convidados pelo museu Tate modern para uma grande exposição”.

OTÁVIO E GUSTAVO PANDOLFO Nascidos em 1974, prematuros de 7 meses, os filhos da dona-de-casa Margarida Kanciukaitis e do químico Walter Pandolfo sempre estudaram em escola pública. O apelido OsGemeos veio do DJ Hum nos agradecimentos do primeiro álbum de rap nacional, Hip-hop – Cultura de rua, em 1988. 
PHARRELL WILLIAMS Para 2017, estão trabalhando em um projeto com o músico americano Pharrell Williams e para 2018, já têm uma exposição programada para a China.

QUALQUER HORA É HORA “Estamos em processo criativo 24 horas por dia. Pintamos telas, criamos novas esculturas, desenvolvemos projetos para os próximos anos e fazemos música, entre várias outras coisas”, contam.

REMOÇÃO Em 2013, um dos grafites d’OsGemeos foi removido de um muro na Praça Roosevelt, em São Paulo. A arte fazia referência a uma música que se tornou símbolo de protesto contra a ditadura militar, “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré. Em sua página no Facebook, os artistas disseram: “estamos passando por um momento histórico em nosso país e infelizmente a censura e o desrespeito com a arte e o povo brasileiro ainda continuam”. Outros três trabalhos deles já haviam sido apagados de espaços públicos naquele ano.

SILENCE OF THE MUSIC Este foi o nome da primeira exposição individual dos artistas em Nova York, que aconteceu este ano na galeria Lehmann Maupin. “Eram cinco salas com pinturas, esculturas, músicas... essa exposição não vai viajar porque foi desenvolvida especialmente para aquele espaço”, explicam.

TONY GOLDMAN Quando este empresário, visionário das artes, faleceu, em 2012, eles escreveram: “ele foi uma inspiração para nós e uma das pessoas mais positivas e inovadoras que conhecemos”.

US$220 MIL “Untitled”, de 2011, foi vendida por este valor em 2014. A tela, que traz um homem sentado sobre uma prancha de surfe se equilibrando sobre um homem dentro de uma casa e uma mulher nua, reproduz uma atmosfera surrealista e divertida. Otávio e Gustavo não falam sobre preços, mas esta é a obra mais cara de sua autoria de que se tem notícia.  

VANCOUVER Em 2013, para a Vancouver Biennale, eles grafitaram um mural 360º, com 20 metros de altura e mais de 2.000 metros quadrados: tratavam-se de seis tonéis de um antigo complexo industrial. “A proposta da Bienal tem uma forte conexão com esculturas, então optamos por um espaço no qual a pintura pudesse se transformar, criando um diálogo entre os mundos bidimensional e tridimensional”, explicam OsGemeos. RAIO – X Para quem quer entender a fundo o trabalho deles, dois livros são uma boa pedida: “OsGemeos – A ópera da lua” (Cobogó, 2014, 120 pág.) apresenta uma seleção de instalações em espaços fechados, enquanto “OsGemeos - Pra quem mora lá, o céu é lá” (Museu Coleção Berardo, 2009, 120 pág.) documenta o trabalho in loco desenvolvido pela dupla no museu Coleção Berardo, com texto de Eric Corne, curador da exposição, que traz um diário da montagem e uma entrevista com os artistas.

ZÍPER, BOTÕES, CORDÕES... As roupas de seus personagens são carregadas de elementos: o cordão de um moletom, o zíper de uma calça, os botões de uma camisa, estampas, acessórios... e tudo ajuda a construir um universo particular. “Somos estilistas, de certa forma”, costumam dizer.

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